domingo, 12 de outubro de 2014

Brinquedos da minha infância nos anos 90.

Não sei se é por causa da chegada da adultice ou por saber que os textos com os quais vocês mais se identificam são os em que eu choramingo por causa da infância que ficou pra trás, mas eu ando muito nostálgico ultimamente.
Volta e meia me surpreendo discutindo com meu irmão ou com amigos MSNísticos sobre os “bons tempos” que deixamos pra trás. Tempos em que não precisávamos pagar contas, ou impostos, ou parcela do carro, ou aluguel, nem tínhamos que ocupar nossa mente com a aflição de decidir uma carreira ou se preocupar patologicamente em se tornar bastante bem sucedido pra que bata aquela característico arrependimento sua ex-namorada cada vez que ela se atrever a visitar seu perfil no Facebook.
Como sinto saudade daqueles tempo quando nossas únicas preocupações eram achar uma revista com cheat codes pra Duke Nukem 3D e chegar em casa a tempo de assistir o finzinho do band kids com a kira (pra quem estudava de tarde, como eu)!
Minha mãe não mentiu pra mim – a infância realmente acaba quando menos se espera. Quando eu era mais novo, ela vivia me alertando a respeito de aproveitar bastante a infância. Assim como pilhas AAA, meias sociais e o telefone daquela garota da faculdade que te dá o maior mole, a sua infância desaparece quando você mais precisa dela.
Eu não prestei muita atenção no que minha mãe dizia porque eu estava ocupado aproveitando a minha infância, mas a mensagem tem seu valor de qualquer forma.
Você aí, leitor de dezesseis anos de idade, sem dinheiro, possivelmente virgem, e absolutamente desesperado com a certeza de que não passará no vestibular numa faculdade federal e que apanhará em casa quando chegar no dia seguinte tentando convencer os pais que cursar uma faculdade particular é uma idéia melhor — estou falando contigo. Olhe em sua volta.
Essa casa confortável em que você mora? O dia chegará em que esse conforto te custará esforço e dinheiro, e o estado de conservação e organização dela ficará por sua conta. Sua comidinha sempre posta na mesa no momento que o relógio da sala bate o meio dia? Bem, espero que você goste de nissin miojo, porque é isso que você comerá por alguns meses quando sair de casa pra tocar a vida por conta própria. Essa internet que você se acostumou a usar com uma frequência diária que a “minha geração” (discadona 56kbps na veia) só podia sonhar a respeito? Ela não é grátis.
Aproveite enquanto dá, porque esse free ride vai acabar um dia. Confie em mim.
Eu tenho muita saudade de ser criança, puta que pariu. Mas isso não significa que as lembranças dos tempos dourados estão eternamente relegadas ao pretérito perfeito. Pelo contrário: é justamente essa choradeira papo-de-velho que faz as experiências infantis parecerem muito mais gloriosas do que realmente eram. E por causa disso irei neste texto relembrar relíquias do passado que alguns de nós compartilhamos, e alguns de vocês jamais terão o excelentíssimo prazer de não apenas ganhar de Natal, mas de trazê-lo pra escola (sob risco de confiscamento por professores fascistas) pra provocar admiração e inveja nos amiguinhos escolares.
Acompanhem-me por mais essa viagem pela minha incrivelmente desinteressante infância!

Pense Bem

A Promessa
Educar crianças na emergente “rodovia digital” que aparecia no horizonte e acostuma-las a lidar com esses tais de computadores.
A Realidade
Era essencialmente uma calculadora com botões coloridos, num formato que vagamente lembra um computador. “Mais que um brinquedo, quase um computador!” Quem não lembra desse safadíssimo slogan? Eu certamente lembro, porque foi ele que me levou a atormentar meus pais diariamente por três ou quatro meses até que eles decidissem que a única forma de me silenciar seria comprar essa merda pra mim no próximo Natal.
O que era o Pense Bem? O Pense Bem era um brinquedo eletrônico fabricado pela Tec Toy no começo dos anos 90.  Apesar da propaganda evidentemente enganosa, o Pense Bem era exatamente o que alegava não ser (um brinquedo), e estava muitíssimo longe de ser aquilo com o qual eles o comparavam (um computador). O Pense Bem era um computador na mesma proporção que um relógio de pulso é um computador.
Talvez “Pense Bem, O COMPUTADOR DE BRINQUEDO” fosse uma chamada mais comercialmente honesta, mas perdia totalmente o apelo semi-tecnológico tão característico dos anos 90. Em outras palavras, a única coisa que o Pense Bem tinha em semelhança com um computador é que ambos são escritos com auxílio da letra M.
Além de primitivas funções musicais que me permitiam reproduzir 20% da música tema de Jurassic Park para o fictício deleite de meus pais, o “computador” tinha algumas atividades matemáticas (o aparelho jogava uma adição/soma/divisão/subtração com um dos fatores como incógnita, e você tinha que descobrir a resposta. O outro joguinho era essencialmente um “descubra a média aritmética entre estes dois números!”), um joguinho de memória no estilo Simon Says, e alguns outros badulaques que se perderam na minha memória.
Um das brincadeiras mais interessantes do troço eram os livros de atividades. Livrarias e lojas de brinquedos na época vendiam livros com perguntas sobre os mais variados assuntos; ao digitar um código de 4 dígitos que aparecia na contra-capa do livro, você podia então usar o Pense Bem pra responder as múltiplas escolhas de cada pergunta.
Eu tinha vários livros com personagens da Disney, livros sobre Astronomia, Biologia, e um bizarríssimo “Livro Pense Bem Plebiscito”, talvez produzido na esperança de educar a molecada sobre aquele plebiscito de 1993. Ganha três reais quem adivinhar qual era o meu livro menos favorito, que eu eventualmente acabei trocando na escola por algum boneco qualquer dos Comandos em Ação.
Apesar de obviamente não atingir as expectativas criadas pelas propagandas enganosas, a posse do meu Pense Bem me proporcionou popularidade jamais antes vista na escola — até o momento que meus amiguinhos perceberam que a parada era simplesmente uma calculadora com botões coloridos e LCD vermelho, e deixaram de dar atenção ao meu brinquedo. Isso é o que devem chamar de “quinze minutos de fama”, apesar de que no meu caso ficaram faltando os outros catorze.
Que fim levou?
Eu me lembro como se fosse ontem — eu havia passado o dia inteiro provocando meu irmão de maneiras juvenis e bastante engraçadas pra todo mundo exceto pra ele. O moleque se emputeceu de vez, catou o primeiro objeto que viu pela frente (um sapato) e arremessou-o e minhas direção com motivação homicida. Meus refletos apurados me permitiram desviar do projétil de uma forma que seria plagiada anos mais tarde no longa-metragem Matrix.
Escapei do atentado, mas o objeto inanimado que estava bem atrás de mim não teve tanta sorte. O sapato acertou meu Pense Bem em cheio, destruindo a tela do aparelho. Liguei o bicho pra testa-lo e percebi que a tela ainda estava de boa, era só o plástico que a cobria que rachou no meio. Menos mal (ou não).


ISOPORITOS

A Promessa
“É a mesma coisa que XÍTOS, meu filho. Só que é mais barato!” dizia minha querida vovó. E eu sei que não é brinquero, mas eu deixei tanto resíduo de Isoporitos nos meus brinquedos que ele se torna um brinquedo
honorário.
A Realidade
Ela estava certa. Isoporitos  tinha o mesmo sabor que Cheetos. Isso é, num mundo alternativo em que Cheetos era fabricado inteiramente com isopor e cola escolar.
“Que demônios é Isoporitos?”, você está perguntando a si mesmo retoricamente. Bem, meu amigo, eu compreendo sua ignorância. Duvido muito que alguém que tenha vivido fora do glorioso bairro São José durante toda sua vida tenha a menor chance de entrar em contato com Isoporitos.
E você não sabe o que estava perdendo.Isoporitos era um salgadinho comumente vendido nas mercearias nos arredores da área onde minha avó morava. Pra você ter uma idéia da natureza underground da parada, Isoporitos era vendido em sacos plásticos transparentes selados com nada mais nada menos que ligas elásticas do tipo que alguém usa pra projetar um pedaço de papel contra a orelha de um amiguinho.
Não havia nenhum tipo de informação na embalagem — não tinha nome, nem logotipo da empresa fabricante, peso, valor nutricional (AHAHAHAH até parece), absolutamente nada. Aliás, a própria alcunha do produto era essencialmente folclore regional, passado de boca a boca, já que não havia na embalagem nada que sequer sugerisse que a pessoa que o produziu se preocupou em dar um nome à criação. Tudo sugeria que o tal do salgadinho era fabricado caseiramente em algum muquifo do bairro, utilizando todos os métodos clandestinos possíveis.
E se o sabor da parada oferece alguma pista, é que os Isoporitos eram fabricados por complexos processos alquimísticos que transformavam isopor, papelão e corante amarelo em um item alimentício que poucas pessoas nesse planeta tiveram a honra de experimentar. Ainda não está convencido da undergroundzice da parada? Mencionei que o salgadinho custava DEZ CENTAVOS? Bom, agora mencionei.
Ir à casa da minha vó e não comer Isoporitos como lanche vespertino era como ir a Paris e não tirar uma foto na frente da Torre Eiffel usando uma camisa da seleção e em seguida uploadear no Facebook com uma legenda que lê “EU EM PARIS, SOH PRA KEM PODE”.
Que fim levou?
Assim como todos as outras porcarias alimentícias que eu ingeria impunemente quando moleque, os Isoporitos que eu consumia avidamente enquanto assistia Chaves sentado na sala da casa da vovó se manifestaram na forma de um dos mais poderosos casos de caganeira em toda a história humana registrada. Se bem que, por dez centavos, até que valia a pena. Sem contar no valor agregado da possibilidade de não dar descarga e surpreender o próximo visitante do banheiro com fezes amarelas.

Ferrorama


A promessa
Realize seu grande sonho — seja um engenheiro ferroviário, caso você seja uma criança estranha. Baterias não incluídas.
A realidade
Nesse caso não houve decepção alguma: o Ferrorama era exatamente o que se propunha a ser, supondo que a palavra “propunha” exista na língua portuguesa, porque eu sinceramente não lembro dessa palavra e estou com uma ligeira sensação de que acabei de inventa-la.
O Ferrorama foi apenas um em uma longa série de brinquedos que meu pai queria muito obter, mas disfarçava como presente pra mim e pro meu irmão na esperança de não ouvir reclamações da minha mãe.
Meu pai, que nunca vai deixar de ser uma criança no que diz respeito a brinquedos, nem mesmo esperava um evento de costumeira troca de presentes pra aparecer com algum pacote debaixo do braço. Ou seja, nem meu aniversário era — eu chego em casa e lá estava ele sentado na sala, montando os trilhos do brinquedo e com um sorrisão na cara. “Pra você ó, sua peste”, disse ele enquanto mal tirava os olhos da parada, todo animado com o prospecto de sua ferroviária em miniatura.
Quando ele finalmente cansava de brincar com a parada e ia fazer algo mais proveitoso, eu e meu irmão tomavam o lugar dele. Livros viravam suporte pra pontes. Travesseiros viravam túneis. As grossas colunas de madeira que sustentavam a mesa de jantar da sala viraram enigmáticos cânions, perigosamente estreitos, do alto dos quais um solitário tusken raider caça droids pra revender pro mercado negro dos jawas.
Não havia limites pra imaginação — lembro que um dia joguei um ônibus de brinquedo no meio dos trilhos e impiedosamente atropelei-o com a locomotiva, a fim de emular aquela cena de O Fugitivo, que estava em cartaz na época e cuja cena de destruição ferroviária featuring Harrison Ford e um gordo aleatório atiçaram minha imaginação infantil.
(Uma de minhas taras infantis era usar meus brinquedos pra reproduzir cenas de filmes, chegando até a deitar no chão e fechar um dos olhos, pra simular o ângulo da câmera na tomada e tudo)
Vou deixar uma coisa clara aqui. “Brincar com Ferrorama” é uma expressão que não faz muito sentido. Você montava o trilho, ligava o trem, e pronto. Acabava aí a sua interação com o brinquedo. Seu primo Autorama ao menos era controlado diretamente pelos pirralhos com o controlinho na mão, dava pra apostar corrida e tudo.
Já o Ferrorama por outro lado era totalmente automático. Você sentava e assistia o trenzinho atravessar o percurso dele por horas até as pilhas acabarem ou sua mãe descobrir que você não apenas não arrumou o quarto como era condição de brincar com o Ferrorama, mas ainda roubou pilhas de outros eletrodomésticos pra liga-lo.
Apesar disso, a parada era inexplicavelmente viciante e divertida.
Que fim levou?
Quem teve Ferrorama lembra que aquelas pecinhas nas extremidades de cada trilho que permitiam a conexão entre os mesmos quebravam com muita facilidade. Some isso ao fato de que graças às nossas inúmeras mudanças, a caixa do brinquedo foi perdida e tivemos que guardar os trilhos dentro de um imenso saco plástico que era frequentemente derrubado no chão ou pisoteado em momentos de desatenção.
O resultado dessa infeliz mistura é que nossos trilhos não se conectavam mais com muita firmeza, impossibilitando que eu revisitasse outras cenas cinematográficas clássicas de desastres de trens.

Walkie talkies

A promessa
A mágica da telecomunicação a seu alcance! Agora você pode coordenar à distância suas estratégias de
apertar campainhas dos vizinhos e sair correndo!
A realidade
Para os que não sabem eu moro no Paraná, e como cumprimento de alguma lei estadual paranaense meus pais iam anualmente ao Paraguai comprar nossos presentes de Natal.
Em dezembro de 1999 havia uma única caixa embaixo da nossa árvore, e meus pais me avisaram que o presente “era pra nós dois”. Eu e meu irmão nos entreolhamos desconfiadamente. Essa estratégia de “o presente é pros dois” é um dos truques mais velhos do livro de truques de pais mãos-de-vaca.
Dessa vez ao menos o presente podia ser razoavelmente dividido pros dois, já que se tratava de um par de walkie talkies.
Como manda o roteiro de brinquedos chineses vendidos no Paraguai, nossos comunicadores portáteis pessoais eram de baixíssima qualidade. O auto-falante tornava nossas vozes praticamente irreconhecíveis, e a péssima recepção só viabilizava a brincadeira se estivéssemos praticamente um ao lado do outro.
Ou seja, era essencialmente o mesmo que usar duas latas e um pedaço de linha de costura, porém pior.
Mas isso não nos impediu de imitar as melhores cenas de nossos filmes infantis favoritos, em que os protagonistas juvenis utilizam walkie talkies pra desenrolar algum plano elaborado contra adultos ou coisas parecidas. Infelizmente a única coisa que sabíamos fazer na época em matéria de traquinagem em grupo era tocar campainhas e sair correndo. Adicionamos os inteiramente dispensáveis walkie talkies na brincadeira e tudo parecia mais legítimo e profissional.
Pior que eu não sabia nem utilizar a parada direito, a despeito da simplicidade do brinquedo. Como em todo walkie talkie, os nossos tinham botões pra se comunicar em código morse, o que é mais ou menos uma admissão do fabricante de que ninguém poderia usar o brinquedo de forma satisfatória usando a própria voz.
Acontece que eu não tinha a menor idéia do que era código morse e achava que a função servia pra irritar o seu interlocutor, já que ele cortava a fala dele no meio. Só descobri o que era o código anos depois, após ler o Manual do Escoteiro Mirim de um primo.
Mas aí já era tarde demais, porque…
Que fim levaram?
…no ano seguinte, um vizinho me fez o favor de destruir meu walkie talkie. Sem motivo aparente, o garoto girou o botão de volume até a última casa e além. Quando ouvi o característico “plec” que indica plástico quebrando e notei que o botão girava livremente na mão do moleque, sem a familiar resistência provocada por travas mecânicas dentro do aparelho.
Só o libertei de uma firme chave de braço mediante à promessa de que ele explicaria a situação pra mãe dele e me presentearia com um novo walkie talkie, se possível dentro de 24 horas.
O moleque nunca mais falou comigo, e por muita infelicidade se mudou do bairro pouco tempo após esse incidente. Se seu nome é Marcel e você morava na Rua H no bairro São José 2  e estudou na escola municipal, VOCÊ ME DEVE UM WALKIE TALKIE PORRA. Dois aliás, porque a destruição de um tornou o outro inútil.
Isso porque eu estou sendo gente boa. Se eu fosse ajustar a inflação e os juros de todos esses anos, essencialmente você me deveria uma Ferrari.
Hoje, na era da telecomunicação instantânea em aparelhos portáteis, acho que walkie talkies perderam totalmente seu appeal.

Armatron

A promessa
Um braço robótico mais ou menos portátil controlado por você. Essencialmente, o Santo Graal dos brinquedos nerd dos anos 80/90.
A realidade
O Armatron é essencialmente o motivo pelo qual eu sempre perdoarei meus pais por suas inúmeras falhas como progenitores. Tenho certeza absoluta que meu pai comprou o brinquedo pra si mesmo, mas já que isso resultou no privilégio de ser um dos poucos moleque que sequer chegaram a ter contato com a parada, considerarei como se tivesse sido um presente pra mim mesmo assim.
Produzido pela americana (e extinta) Radio Shack, o Armatron era na verdade um jogo. Tá vendo aquela caixinha plástica ali, com as bolas azuis e tal? Então. O objetivo da parada era abrir a caixa, remover os itens de dentro dela, posiciona-los numa outra base plástica, e fechar a caixa. Tudo cronometrado pelo timer mecânico do braço robótico.
Tá vendo aqueles quadradinhos alaranjados na frente dos controles analógicos que moviam o bicho? Então, usando um disquinho plástico você setava um número qualquer de quadradinhos, que funcionavam como um contador. A cada minuto um quadradinho ia embora, e quando o último quadradinho se passasse, o Armatron se desligava.
Assim, você decidia o nível de dificuldade da brincadeira. O que era muito legal pra impressionar os amiguinhos que se matavam pra completar a tarefa no tempo máximo permitido, enquanto você os empurrava pro lado e completava tudo em menos de um minuto. Um precursor do que, anos mais tarde, veio a se tornar minha forma favorita de jogar Pump it Up/Guitar Hero/Rock Band — se exibindo pros amigos com menos coordenação motora.
Pra ser ainda MAIS filho da puta, eu às vezes tirava dos controles o adesivo que explicava como operar o braço robótico, deixando meus amigos ainda MAIS na merda.
Como regra obrigatória que rege brinquedos, gambiarras e badulaques em geral, as pequenas pecinhas adicionais que compunham o aspecto de jogo foram perdidas em pouco tempo. Não que isso fosse um grande problema, porque o simples ato de controlar o Armatron era divertidíssimo.
Se você não teve a oportunidade de receber um Armatron de presente durante sua infância, isso significa que seus pais não te amam e/ou que você foi o resultado de uma gravidez acidental.
Uma das coisas mais curiosas sobre o Armatron é que ele era quase inteiramente mecânico. Havia um único motor na base, e ao usar os controles você ativava e desativava engrenagens que transmitiam os movimentos ao longo do braço. Como resultado disso, ele fazia um barulho do caralho:
Que fim levou?
Acabamos presenteando um primo meu de minas que eu não lembro muito bem o porque (esse foi um dos dias mais tristes da minha vida).
Essas foram algumas das coisas que marcaram meus anos juvenis. O que te causa mais saudade a respeito da sua infância perdida? Os comentários tão aí pra isso.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Manual de Aventuras Domésticas

Se você fechar esse vídeo pornô que você deve estar assistindo e parar pra pensar um pouco a respeito do século em que vivemos, chegará à mesma conclusão que eu atingi cinco segundos atrás:
Vivemos num mundo muito seguro, e isso tornou nossa existência muito monótona.
Pense comigo um pouco: cintos de segurança, backups, vacinas, airbags, botes salva-vidas, capacetes, seguros de vida, função “Desfazer” do Word, continues infinitos em Mario World… Temos ao nosso dispor incontáveis mecanismos de proteção que, ao mesmo tempo que nos dão segurança, acabam roubando todo aquele friozinho na barriga, a sensação de perigo, o próprio gostinho de viver. Que tipo de emoção se pode ter num mundo onde você pode comprar uma pílula de emergência minutos após ter estourado uma camisinha?!

Alguns indivíduos mais ousados, não conformados com essa sociedade medrosa que nos tornamos, adotam estilos e atividades ditos “extremas”. Mal sabem eles que até mesmo os esportes radicais foram infectados por essa covardia contemporânea:
• Em rafting, se usa colete salva-vidas;
• Skatistas usam capacete;
• A mochila do paraquedista tem um paraquedas de emergência.
Que porra é essa? Se arriscar sendo cuidadoso? Isso não faz o menor sentido. Ou você se preocupa com sua segurança, ou você pratica essas atividades. Tentar ambos prova não apenas que você tem tanto medo como o resto das pessoas, mas também que você tem medo de admitir esse medo, e é por isso que sai fazendo essas maluquices – pra que ninguém saiba que você é um puta dum cagão.
Tá, tudo bem, talvez essa cultura de auto-preservação tenha salvo algumas centenas de milhares de mortes trágicas, dolorosas e prematuras. Mas gente, e a adrenalina? E o senso de aventura?! Milhões de mortes por ano me parece um preço justo a se pagar por um friozinho na barriga de vez em quando.
Não chorem ainda. Essa situação pode ser revertida. Basta seguir meu simples Manual de Aventuras Domésticas, que pode ser praticado por qualquer pessoa, em qualquer idade, sem necessidade de esperar meia hora após ter tido uma refeição.

1) Fazer pipoca sem a tampa
Imagine a cena: é um sábado à tarde, e há um filme na TV a cabo que por algum milagre não é uma merda repulsiva como os filmes de sábado à tarde geralmente são. Todo serelepe, você decide que a experiência cinematográfica não pode ser completa sem uma bacia fumegante de pipoca quentinha no seu colo, recém saída da pipoqueira. Você vai à cozinha, simultaneamente coçando o ovo esquerdo – não porque estava coçando, você coçou de graça mesmo – e joga os grãos de milho na panelona. Aí, de MEDROSO DE MERDA QUE VOCÊ É, você põe a tampa em cima de tudo, senta ao lado do fogão e começa a morder uma unha do pé pra passar o tempo.
Aí que está o seu erro. Você acabou de sepultar toda a adrenalina que a confecção de uma rodada de pipoca envolve. Já pensou? Um grão pode ou não voar por uma brecha entre a panela e a tampa, quando você a levanta pra ver se tá tudo no ponto, e pode ou não acertar você no meio do olho! Praticamente uma roleta russa culinária.
Os praticantes mais extremos desse esporte não apenas jogam fora a tampa, mas comumente mantém o rosto centímetros acima da panela, só pra ver se conseguem tirá-lo na hora H. Como em outras técnicas que envolvem tirar uma parte do corpo na hora H, não preciso dizer que isso nem sempre dá os resultados esperados.
Mas ao menos você não será um covarde de merda.

2) Preencha cruzadinhas com caneta
Poucos sabem, mas cruzadinhas podem ser uma das atividades mais extenuantes e radicais que um ser humano pode se submeter. Basta remover o lápis, jogar a borracha fora e puxar uma caneta da gaveta. A excitação será palpável quando você se deparar com o item “Capital da Iuguslávia“, X letras, vertical, e não houver uma forma de verificar o Google no momento.
O que fazer? Deixar em branco? Fechar a revistinha e perguntar a alguém menos burro? ESCREVER QUALQUER COISA COM LÁPIS E DEPOIS APAGAR?
Mas claro que não. Escrever com lápis – se garantindo na segurança que uma borracha oferece – é pra gente frouxa e que está acostumada a sempre sair errando tudo. Fazer cruzadinhas com lápis é não apenas mais um dos milhares de sistema de segurança que nos protegem como bebêzinhos indefesos o tempo todo, mas também um atestado de ignorância.
Passe a caneta (de preferência vermelha, pra que alguém que veja as cruzadinhas pense depois “caralho, esse cara era realmente um aventureiro!“) enquanto repete para si mesmo “ah, foda-se“. Muito em breve você saberá se acertou (o que fará você soltar um longo suspiro de alívio, confie em mim) ou não. E nesse caso, FODEU.
E até descobrir isso, o suor descerá continuamente de sua testa.

3) Morda o sorvete com os dentes da frente 

O corpo humano é composto por vários órgãos e membros, e quase todos trabalham incansavelmente para tornar nossa existência mais dolorosa. Canelas, amídalas, apêndices, molares… parece que certas partes do nosso corpo foram colocadas lá apenas causar dor e encheção de saco. Como se não fosse só isso, até mesmo as partes “úteis” causam uma dor impressionante por motivo nenhum.
Os dentes, por exemplo. Sozinhos eles são apenas mais uma engranagem da complexa máquina que é o corpo humano. Com eles você morde uma rapadura, segura o celular enquanto amarra os cadarços, arranca o piercing do mamilo de alguém… Ou seja, nossos dentes são uma excelente ferramenta.
Mas experimente combiná-los com sorvete. E não qualquer dente, mas especialmente os dentes da frente. Há terminações nervosas naquela área que potencialmente tornam o ato de comer sorvete tão doloroso quanto levar um choque de quarenta milhões de volts após ter perdido o braço numa mina terrestre que um soldado iraquiano pôs no seu caminho após estuprar sua mãe com um taco de baseball em chamas.
Alguns, entretanto, desenvolveram técnicas inconscientes e conseguem desviar da dor lacinante que vem após morder um gélido picolé com os incisivos. Alguns não. A que grupo você pertence?
Dê uma dentada naquele Frutilli e descubra, seu medroso!

4) Vá ao banheiro de olhos fechados

Só aquele que já passou pela situação de ter estar trancado num banheiro em falta de papel higiênico sabe o quanto isso é desesperador. Acho que a única coisa pior que isso seria estar trancado num banheiro sem papel higiênico num prédio em chamas, minutos após ter sido demitido e não saber como pagará a prestação do carro no mês que vem. Mas como a maioria de vocês não tem carros, pelo menos dessa vocês escaparam.
Claro que ninguém quer se ver numa situação como essa. Por isso é lugar comum verificar – antes mesmo de arriar as calças – se há um volume satisfatório de papel higiênico naquele buraquinho da parede, justamente pra evitar a desagradável surpresa de estender o braço em direção ao rolo e sentir apenas o papelão.
E mais uma vez as conveniências e medos da nossa sociedade contemporânea estragam o que poderia ser uma aventura de proporções inimagináveis.
Os riscos nessa atividade são maiores que qualquer outro. Uma coisa é despencar de um avião a cinco mil metros de altura, cair de cabeça e ter uma morte instantânea e indolor. Outra bem diferente é despejar a feijoada de ontem na privada de um conhecido durante uma festa, dar de cara com a falta de papel higiênico e ter que contemplar a possibilidade do uso da cueca para o fim higiênico. Já viram o filme Saw, em que os malucos têm a opção de cortar os próprios pés para escapar do assassino? A solução está lá, na sua frente, mas você simplesmente não consegue tomar a decisão. E além disso, o tempo vai passando, lentamente mas inexoravelmente, e em breve perguntarão por que você ainda está no banheiro.
O que eu estou querendo dizer aqui é que verificar a existência do papel antes de liberar o esfíncter é coisa de gente FROUXA. Feche os olhos, feche a porta (e o nariz, dependendo do que você comeu ontem), e vá na fé.

E é isso. Adotem essas simples atividades radicais e injetem alguma emoção em suas vidinhas hermeticamente fechadas e protegidas 24 horas por dia, seus molengas!

Hm, mó vontade de fazer cruzadinhas comendo pipoca agora. Cadê minha BIC?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Brincadeiras de criança

Além de curar cegos, andar por aí com prostitutas e definir o calendário da civilização ocidental, Jesus celebremente disse que o reino de Deus pertence às crianças.
A história aparece de novo no livro de Marcos, aliás. Inclusive, toda a idéia de que um cristão precisa “nascer de novo” faz alusão à idéia de que Jesus favorece a galerinha mais jovem.
Por muitos séculos, teólogos interpretaram a frase de Jesus da seguinte forma: o Reino de Deus pertence àqueles que forem puros e inocentes como criancinhas.
Entretanto, tenho outra teoria: Jesus sabia que criancinhas são malucas, com hábitos que beiram tendências suicidas, e por isso acabam indo ao Céu primeiro.
Ué, você tá duvidando? Você não lembra que brincava de…
Carrinho de rolimã


Deixa eu admitir logo: eu tenho muita saudade dos carrinhos de rolimã. Ou “rolemã”, sei lá.
A emoção de descer uma ladeira em alta velocidade (ok, não tão alta assim) com freios inexistentes ou ineficientes, dividindo a rua com carros que poderiam te esmagar como um rolo compressor. A única coisa mais incrível que a sensação de pilotar um carrinho de rolimã era o fato de que nossos pais nos deixavam fazer isso.
O carrinho de rolimã era um resultado do cálculo (três pedaços de madeira) + (quatro rolamentos) — (qualquer instinto de auto-preservação). Uma vez de posse de um deles, a gente saia caçando as melhores ladeiras do bairro. Se haviam dois ou mais moleques com carrinhos, a idéia era disputar corrida.
E como em qualquer tipo de automobilismo, os espetaculares acidentes são o que há de mais emocionante. Diz-se que os gringos só assistem Nascar por causa dos acidentes, aliás.
Eu tenho até hoje uma cicatriz no tornozelo esquerdo por causa de um carrinho de rolimã. Sabe o que acontece num carrinho de rolimã se você dá uma curva muito fechada indo em alta velocidade?
A mesma coisa que acontece com qualquer outro veículo. Este erro me mandou voando pelos ares como uma boneca de pano, me ralei todo quando o chão correu pra me acudir.
E quando alguém inventava de fazer uma rampa pros carrinhos? Como eles jamais atingiam velocidade suficiente para decolagem, o que acontecia era a) a tábua quebrava e enviava centenas de farpas na delicada cútis e olhos da criançada ou b) o carrinho chegava à beirada da rampa e em seguida despencava ao chão, fraturando cóccixes no processo.

Lutinha
Nós gamers somos extremamente sensíveis à acusação de que videogames provocam violência no mundo real. Muitos anos tendo que lidar com essa caça-às-bruxas nos fizeram desenvolver argumentos afiados pra defender nosso hobby.
Até parece que nos esquecemos que há muitos anos atrás, em pé em cima da cama dos pais, nos engafinhamos com irmãos mais novos após berrar um alto e inspirado “FIIIGHT!”
Uso MK neste exemplo mas isso é apenas porque era nosso game de luta favorito na época. Qualquer jogo de luta era reproduzível em cima da cama dos pais, o equivalente infantil a um tatame gigante.
Numa dessas brincadeiras, eu caí da cama de cabeça no chão. Apaguei, e a próxima memória que tenho é dos meus pais me trazendo pra casa de volta do hospital — eu, encolhido no colo da minha mãe no banco da frente do carro, enquanto ela levantava o braço pra erguer a garrafinha do soro intravenoso.
Outra coisa que muito me impressionava eram aqueles incríveis saltos mortais que os lutadores do jogo davam. Obviamente tentei reproduzir a parada na cama dos pais, e arrebentei meu pé num baú que eles mantinham na cabeceira da cama.
Em outra dessas brincadeiras, uma porrada na cara do meu irmão com o travesseiro arrancou um dente dele.
O legal é que víamos a aparição de sangue nas brincadeiras como um sinal de que a imitação do jogo estava perfeita.
Bombas


Essas bombas têm diversos nomes ao redor do Brasil. Em SP são chamados de “morteiros”, no RJ, essa cambada de racistas, a bomba se chama “cabeção de nego”. No Maranhão, isso se chama “bomba de murrão”. Em Minas chama-se as bombas de “trem que isprode, sô”.
Já no meu saudoso Paraná chamamos estas bombas de “rasga-lata”, porque este é o nome correto delas.
A rasga-lata consista num explosivo caseiro, vendido em mercearias de esquina por valores perigosamente acessíveis a crianças. E evidentemente, não havia nenhuma restrição etária para a compra das bombas. Eu devia ter uns 10 anos quando comprei minha primeira rasga-lata.
O maior pretexto pra utilização desses aparatos explosivos era a Copa do Mundo, mas no bairro da minha avó — o único bairro que frequentei constantemente por toda minha infância; minha família se mudava muito — a criançada brincava dessas coisas quase toda noite.
O nome do troço era uma sugestão de uso. A molecada comprava essas merdas e saia vasculhando o lixo do bairro inteiro procurando latas metálicas para explodir. Quando não conseguiam achar latas, servia qualquer outra coisa — garrafas plásticas de refrigerante, canos de PVC, e em uma ocasião um moleque particularmente suicida jogou uma rasga-lata dentro de um pote de vidro.
Eu, que sempre fui meio piromaníaco, adorava as rasga-lata. Quando meus primos iam lá em casa a gente juntava toda a grana, comprava uma porrada de bombas, e o mundo então adquiria outra aparência pra nós: tudo que víamos era explodível.
Como eu cheguei a adolescência com ambas as mãos intactas é um mistério.
E isso, novamente, com pleno conhecimento e consentimento paterno. Era outro mundo mesmo.


Vassouras são como espadas


Imagine a cena acima, exceto que sem qualquer instrumento de proteção, e com cabos de vassoura (que são muito maiores e mais pesados que floretes, portanto causam bem mais dano). Esses eram eu e meu primo.
Sei lá qual foi o filme ou videogame que nos inspirou a fazer isso — e em se tratando de brincadeiras de luta de moleque, pode ter certeza que foi um dos dois que nos deu a idéia –, mas toda vez que eu ia à casa dos meus primos a gente roubava as vassouras da empregada, removia aquela parte das cerdas, e tentava coreografar elaboradas cenas de luta na garagem.
Os resultados eram previsíveis: vigorosas vassouradas na cabeça, braços e ou pior ainda: nos dedos. O que acontecia é que… bem, permitam-me explicar com uma ilustração.


Esta é uma espada. Você deve ter notado que quase toda espada tem um curioso elemento de design ali perto do cabo. Aquela pecinha ali se chama crossguard.
Sabe qual a função dela? Impedir que a lâmina inimiga deslize até a sua mão, decepando seus dedos.
Agora olhe pra uma vassoura comum. Você perceberá uma notável ausência de qualquer tipo de crossguard.
Ou seja, uma tarde na casa dos meus primos significava levar trocentas vassouradas nos dedos. O moleque vinha com sede de sangue, travava a vassoura dele na sua, mas aí o ângulo da sua vassoura praticamente convidava a dele a percorrer toda a sua extensão, parando finalmente quando acertava seus dedinhos em cheio.
E meu irmão, uma vassourada no dedo já doi pra caralho, imagina levar três ou quatro seguidas no mesmo dígito. Não sei como não estou digitando este texto com a língua, isso é um milagre.

Pipa com cerol

Caso você seja algum tipo de gringo maluco que achou este site e jogou no Google Translate (Oi Poly!), deixa eu explicar: “cerol” é um produto caseiro aplicado na linha da sua pipa. A finalidade disto é cortar a pipa dos outros, porque afinal de contas qual a graça de empinar uma pipa sem ter a opção de sacanear alguém?
Cerol é fabricado da seguinte forma:  primeiro você rouba copos da cozinha. Depois, arruma um pote de cola. Tritura-se o vidro até que esteja praticamente inalável (nossa senhora imagina aí o horror que deve ser cheirar uma carreira de vidro em pó), aí mistura com a cola e aí está. Basta aplicar a parada na linha da pipa, esperar secar, e pronto. Você tem uma lâmina virtualmente invisível à distância e enrolável.
Não bastassem os dedos cortados no processo de moer o vidro e aplica-lo à linha, o real terror era o risco que o cerol trazia a ciclistas ou motoqueiros. Lembra que eu falei que a linha é virtualmente invisível? E que após a aplicação do cerol, é preciso coloca-la pra secar?
Não sei se os moleques eram incrivelmente retardados ou psicopatas em treinamento, mas o método que muitos elegiam pra secagem da linha era amarrando em postes, na altura do pescoço, e às vezes conectando postes em lados opostos da rua.
Ou seja: volta e meia alguém morria DEGOLADO porque não viu a linha cortante no meio da rua.
A corrida armamentista iniciada pelo uso do cerol fez com que alguns moleques mais engenhosos passassem a usar fios de cobre pras suas pipas, que não podiam ser cortados pelo cerol — mas que eram perfeitamente condutores, e ceifaram algumas vidas quando os fios tocavam nas linhas elétricas em postes.
Ahh, cê tá me achando muito sensível e bichinha, né? “Aff que baitolagem Kid, todo mundo brincava com cerol, não era esse horror todo“. Sugiro que você não procure “cerol” no Google imagens então. A parada causava estragos tão absurdos que é difícil crer que era produzido por um bando de moleque de 11 anos com um tubo de cola Polar e um copo velho.
Nossa geração desafiou Darwin, meus amigos.


domingo, 1 de janeiro de 2012

Laços

Quando nascemos somos inocentes e não conhecemos o mundo que existe aí fora, somos frágeis e inseguros, estamos querendo sempre aprender e buscando entender o que acontece o nosso redor. Somos pequenos e indefesos, fracos e muitas vezes dependemos das demais pessoas para nossa própria sobrevivência.
Aos poucos vamos crescendo e aprendendo, despertando novos interesses e começamos a caminhar com nossas próprias pernas, já podemos pedir, já sabemos como conseguir muitas coisas e aprendemos a ver aqueles que realmente se importam com agente.
Depois crescemos e aprendemos ainda mais e surgem amizades novas, novos obstáculos e novos caminhos, dos mais simples aos mais complicados, mas que junto com estes amigos temos a certeza de podermos passarmos. Com as amizades nos fortalecemos individualmente e vemos a diferença que podemos ter com o coletivo, começamos a ver a quantidade de novas informações que surgem a cada dia e a quantidade de pessoas importantes que começam a surgir.
Podemos até mesmo nos desentender, discutir, mas sabemos que muitas vezes isso serve como um grande aprendizado, pois somente com nossos erros podemos aprender fazer certo e da melhor forma e é neste momento que começamos a separar as amizades que farão bem e as que não trarão bem algum.
Começamos a nos relacionar dia após dia com as amizades, nos interagindo e nos integrando cada vez mais a vida delas, começamos a compartilhar as dores, emoções, conquistas, perdas, alegrias e sofrimentos e a cada dia nos tornamos mais unidos, mais queridos e mais fortes.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Coisas legais dos anos 90!


Eu fico bastante nostálgico com as coisas de vez em quando, acho que todo mundo fica.

Não gosto de me gabar, mas tive uma vida muito bem vivida... para os meus padrões, é claro! E vez ou outra me pego pensando em boas épocas que não mais voltarão.


E eu sei que vocês também fazem isso.

...

C'mon, fazem sim que eu sei!

Todo nerd de respeito é adora relembrar das coisas que gostava enquanto crescia, você também faz isso, eu tenho certeza.

Nem adianta olhar pros lados e fingir que eu estou falando com outra pessoa, nem vem com essa!

Enfim, quando fico nostálgico, penso principalmente nas coisas legais que existiam quando eu estava crescendo, ou pelo menos nas coisas que EU achava legais.

E é sobre elas que falarei hoje.

Portanto junte-se a mim nessa viagem através do tempo!





O renascimento da indústria da animação!

Na década de 1980, tivemos uma quantidade blenorrágica de bons desenhos animados!

Transformers, G.I Joe, Thundercats, He-Man e os Mestres do Universo, Caça-Fantasmas, Silverhawks, Galaxy Rangers, Seis Biônicos... a lista prossegue infinitamente e eu poderia ficar aqui citando desenhos o dia inteiro.

Então... veio o vazio...

Houve um período sombrio no fim da década de 1980 e início da década de 1990, quando todos os desenhos animados eram uma merda suprema e serviam apenas pra vender brinquedos.

Que fique claro que desenhos animados sempre existiram apenas pra vender coisas. Desde cereais matinais a brinquedos que seriam destruídos cinco minutos após sairem da caixa, todo desenho animado que já existiu sempre teve a única meta de empurrar produtos caros e totalmente desnecessários goela abaixo da garotada.

Mas neste limbo entre as décadas, as empresas de animação haviam perdido o juízo e não lançavam nada que se assemelhasse à uma série animada aceitável.

Claro, tinhamos as Tartarugas Ninja, o que eu assumo foi a única coisa capaz de evitar que multidões de crianças se erguessem em revolta e tomassem a América para fazer dela uma ditadura onde somente alguns teriam direito à jujubas e Nescau gelado.


Havia o desenho cagão dos X-Men também, que era uma merda grotesca, mas verdade seja dita, era o mais próximo que tinhamos de um desenho animado de super-heróis decente.

E claro, tinha aquele desenho dos ratos motoqueiros de Marte... mas quanto menos falarmos desse, melhor...

Então, em algum dia de 1990, os Tiny Toons foram lançados contra o mundo... e tudo ficou mais colorido!

Após anos de desenhos mal animados, com piadas inacreditavelmente aguadas (muitas delas iniciadas com "Ora, seu...") e personagens tão carismáticos quanto um bife, tinhamos uma série que era bem produzida.

Bem produzida DE VERDADE!!! ERA BOA!!!

E mais, era engraçada!!!

E não falo "engraçada ao estilo Transformers" que fazia humor involuntário com idéias que eram inacreditavelmente imbecis (Galvatron indo para um planeta de macacos azuis psicólogos pra tratar de sua loucura? Mas que porra?) mas engraçada de verdade, quase como se assumindo que os espectadores eram seres dotados de raciocínio!

Claro, grande parte da qualidade de Tiny Toon vinha do fato que sua equipe de produção era composta de pessoas inteligentes que se lembravam de ter assistido Looney Toones na infância e o quanto gostavam de tais desenhos onde um coelho fascínora usava de violência extrema e malandragem pra foder com todo mundo.

E diabos! Que personagens legais a série tinha!

Perninha, Lilica, Plucky, Presuntinho, Felícia, Valentino Troca-Tapa, eram todos sensacionais! Era impossível pra quem assistia não se identificar com pelo menos um deles!

Tiny Toon foi um sucesso e mostrou que animações decentes podiam de fato ter mais sucesso que desenhos produzidos por meia dúzia de animadores coreanos mal pagos e mantidos constantemente sob a mira de rifles e foi quando as coisas passaram a mudar.

Tivemos Animaniacs, Histeria, Freakazoid e então o Cartoon Network criou vergonha na cara e começou a produzir desenhos originais mais voltados para os gostos do público da época, ao invés de continuar reprisando o desenho do Zé Colméia.

E o resto é história.

Aliás, a quem interessar possa, Steven Spielberg não foi a mente por trás do projeto. Ele deu a idéia e uma equipe über-competente cuidou do desenho animado.

Mas de quem era o nome que aparecia no título do desenho?

Pois é, como disse o Stimpy uma vez: "o produtor não faz nada e ainda fica com o crédito do artista!"

Sábias palavras, sim, sábias palavras.

A Era de Ouro dos Videogames

Na década de 1990, games eram uma coisa para nerds.

Se você jogava videogame, você era um rejeitado social! Era sinal que não tinha amigos, não saia de casa, era considerado repelente pelas garotas, não daria seu primeiro beijo antes dos dezenove anos e não perderia a virgindade antes dos trinta e sete!

Hoje... todo mundo tem um Playstation 2 em casa, nem que seja só pra jogar Winning Eleven.

... ou como dizem alguns... "Wing Elévi"...

...

HA!

De qualquer forma, na época havia uma grande guerra sendo travada pelas duas maiores empresas de games do mundo: Nintendo e Sega!

E ao olhar para esta frase, vejo como o mundo mudou...

Enfim, Super Nintendo e Mega Drive duelavam furiosamente pelo gosto da molecada do mundo! O Super Nintendo tinha gráficos superiores, melhor áudio, efeitos especiais em Mode 7 e franquias já consagradas como Zelda e Mario.

E o Mega Drive tinha "Blast Processing"!

Não, sério agora, o que porras era "Blast Processing"??? Em todas as propagandas gringas do Mega Drive apareciam palavras flutuantes garrafais destacando tal capacidade, mas nunca fizeram questão de explicar o que porras era!!!

Alguém aí sabe? Algum de vocês tem a menor idéia?

Pois é, foi o que eu imaginei...





Na época não fazia diferença, cada um de nós escolhia um console favorito e o defendia além de suas capacidades quando confrontado com as duras realidades da vida.

Os donos de Super Nintendo defendiam que tinham a versão melhor de Street Fighter II, que os gráficos do seu console eram melhores e que Super Mario World tinha 96 fases.

Os donos de Mega Drive diziam que o controle de seis botões de seu console era melhor pra jogar Street Fighter, que a trilha sonora de Streets of Rage 2 compensava qualquer gráfico e que o Sonic podia se transformar em Super Sayajin.

As discussões não se resumiam exclusivamente à esses termos, mas já deu pra ter uma idéia.

As atenções da gurizada nerd da época estavam voltadas para esta guerra e qualquer motivo era coisa pra se gabar que seu console era o melhor, por menos sentido que a alegação fizesse.

Esses debates permaneceram até que saiu o Neo-Geo.

Ninguém questionou que era o console mais foda já lançado em toda história do universo... mas também era tão caro que só os três maiores reis do planeta teriam o ouro necessário para comprá-lo.

... e então voltamos a bater boca sobre qual era melhor entre o Super Nintendo e o Mega, sempre concordando que o Neo-Geo era algo que só poderia ser adquirido por Deus e pelo Bill gates e como tal, jamais entraria na discussão.

E as brigas continuavam, sobre qual console tinha a melhor versão de Mortal Kombat 3, que o Mega Drive tinha o Sega CD e que o Super Nintendo tinha o Super Game Boy, que nos permitia jogar títulos do portátil sem que nossos olhos caíssem de tanto tentarmos enxergar a tela monocromática microscópica do tijolinho.

E lógico que essas discussões nada seriam sem...

As revistas de video-games que pipocavam por todos os lados!

Uma das verdades do meio editorial é que se algum assunto de repente se tornar moda, uma revista "especializada" vai surgir nas bancas falando a respeito dele.

Mesmo que não haja muito o que se falar, olha quantas revistas de musculação existem por aí. O que tanto há pra se debater sobre musculação? Depois que o Arnold lançou um livro a respeito, toda e quaisquer declaração sobre o assunto se tornou obsoleta.

Mas não existia internet na época e a única forma de se descobrir quais games seriam lançados nos próximos meses era através de revistas voltadas para o assunto.

Ahhhh, bons tempos...

Voltar da escola, passar na banca de jornais e comprar uma revista de games, imaginando qual seria o detonado do mês e quais jogos seriam avaliados, além das notícias do mundo e quando teriamos os próximos lançamentos...

No caso da Supergame, havia também as patifarias do Chefe e as ocasionais fotos de modelos peitudas que ele colocava na revista e dizia que eram suas motoristas.

Eu juro, a Supergame me fez acreditar que jornalistas de games eram o equivalente nerd dos astros do rock...

E as especulações da época... ahhhhhh, as especulações...

Como eu disse acima, não existia internet naquele período e as informações não vinham com a velocidade que às recebemos hoje. Se alguém dizia algo e estivesse errado, o sujeito teria de esperar um mês pra corrigir a cagada.
Fliperamas e seus jogos que NUNCA seriam lançados em consoles domésticos

Na década de 1990, videogames eram uma febre um setor que estava crescendo em particular nessa época era o dos fliperamas.

Desde o início da década, com Pit-Fighter e Final Fight até seu período final, com House of Dead 2 e King of Fighters Neo-Whatever-Fuck Mai in the Ass-Special, ou qualquer que seja o nome da última versão a aparecer nos nossos arcades.

E por um bom tempo, os arcades eram nossa única alternativa para certos games, como Marvel Super Heroes, Cadillacs and Dinosaurs, aqueles jogos de tiro que falavam "RELOAD" tão alto que o fliperama inteiro podia ouvir e King of Fighters Ultra - What the hell - Now Cum into Athena's Mouth - The Slugfest ou qualquer que seja o nome da versão Coreana totalmente pirateada que surgiu de repente em todos os lugares.

O negócio é que na época, os fliperamas tinham aquele ar especial de "uau, eu nunca vou poder jogar isso em casa", o que era uma certa verdade, considerando que as conversões de arcades para consoles domésticos sempre perdiam um bocado de seu encanto original.

Final Fight tinha um personagem e uma fase a menos, por exemplo e eu nem vou comentar sobre The Avengers pro Mega Drive.

Sem contar que em um certo momento apareceram jogos que simplesmente eram inconvertíveis (damn, essa palavra existe?) para os aparelhos domésticos. Um amigo meu reclamava que não lançavam KOF 94 pro Super Nintendo por preguiça de converter o jogo.

Na época eu apenas disse "o Super Nintendo não aguenta esse jogo" quando na verdade devia ter dito "o Super Nintendo não aguenta esse jogo, porra! Você tem merda na cabeça? Seu burro, animal, sua besta quadrada!!! Eu te condeno ao inferno!!!"

Pra quem acompanha somente os consoles de hoje, que são tão poderosos quanto Deus, pode ser difícil imaginar uma época em que os games mais avançados se encontravam em locais mal ventilados, com posteres de games disputando o espaço das paredes com calendários de mulher pelada e onde um tiozão de cento e doze anos nos vendia fichas com tremenda má vontade.

Mas eu te digo, passar por um lugar ensurdecedoramente barulhento, ouvir claramente os elefantes no cenário do Dhalsim e não se sentir tentado a entrar era praticamente impossível.

Hoje em dia, os arcades estão praticamente mortos e enterrados. Não há mais grandes lançamentos para eles, exceto no Japão, onde os jovens ainda frequentam fliperamas como os daqui frequentam baladas.

Aliás, quando eu era mais jovem, minha mãe sempre dizia que fliperamas eram antros de maconheiros e marginais.

Nunca encontrei um maconheiro sequer em um fliperama, mas conheci dezenas quando estava na escola.
Faz você pensar, não?

Eis que aparece a Geração MTV

Foram nestes turbulentos anos que surgiu uma emissora de tevê totalmente diferente de qualquer outra coisa que já tinhamos visto.

O que? Um canal dedicado única e exclusivamente à música e assuntos jovens? Meu Deus era a coisa mais legal de todos os tempos!!!!!!

Sem contar que naquela época, ter acesso à MTV era tão difícil quanto se encontrar a Arca da Aliança.

Me diga se a seguinte experiência lhe parece familiar: você e mais um amigo juntavam grana por um tempo, iam até uma loja de tralhas eletrônicas, gastavam seu suado dinheirinho em uma antena de UHF, depois passavam o dia no telhado da casa (e não importa em que época fosse, seria sempre o dia mais quente do ano quando decidissem fazer isso), levavam pelo menos três horas instalando a antena e quando finalmente desciam pra assistir ao novo canal, descobriam que precisavam de um transcodificador ou seja lá como se chamava, pra poderem visualizar a MTV com uma imagem pelo menos assistível.

E após essa maratona, ter a MTV em casa era praticamente um presente vindo diretamente dos céus! Nada de Gugu nem Faustão, só música, Vj's jovens, desenhos legendados e programas inteligentes.

Pelo menos, era assim no passado...

Hoje em dia, a MTV é uma diarréia cagada pelo Godzilla! Parece que ele comeu a própria merda e cagou a merda feita da merda, que resultou em uma merda muito mais concentrada e tão podre que nem as moscas chegam perto dela.

De fato, a única coisa que presta na Mtv hoje em dia são os programas com o João Gordo, Hermes e Renato (Não espera esse já não tem mais) e o desenho do Fudêncio.

Mas não há como esquecer da época em que absolutamente todo mundo pagava um pau pra Sabrina.

Ahhhhhh sim, bons tempos...

Os Simpsooooons...

Simpsons é a série animada de maior sucesso de todos os tempos e sinceramente mas vou dizer uma coisa, se você acha que eles são grandes hoje, é porque não viu durante a década de 1990.

Parafraseando John Lennon: "Eles eram mais populares que Jesus Cristo!"

Pra todo lado, pra ABSOLUTAMENTE TODO LADO QUE SE OLHASSE, tinha algum produto com a família de Matt Groening.

Camisetas do Bart, albuns de figurinhas, chicletes com tatuagens, revistas "especializadas" sobre os Simpsons, matérias de jornal e a lista prossegue infinitamente.

Lembro de quando minha professora de educação artística da 5° série mandou que a classe fizesse um desenho livre incentivando as pessoas a jogarem o lixo no lixo, você sabe, esses trabalhos que recebemos no ginásio e que as professoras acham que vão desenvolver alguma consciência social nos alunos.

ABSOLUTAMENTE TODOS OS ALUNOS FIZERAM UM DESENHO DO BART JOGANDO LIXO FORA!!!

Eu tenho certeza que isso não aconteceu só na minha escola e é uma prova irrefutável da popularidade avassaladora do desenho naquela época.

Outra prova é a quantidade gigantesca de games com os Simpsons, mas como a maioria era uma merda cavalar, nem vou falar deles aqui hoje.

De fato, boa parte do tempo livre das crianças na época era dedicado a conversar sobre Os Simpsons e é impressionante ver que estas pessoas, hoje adultas, acabam enfiando referências ao desenho nas mais diversas conversas.


 Nosotros somos Los Caballeros del Zodíaco!!!

Ok, vou adivinhar exatamente como você descobriu a série.

Lá estava você, vegetando no sofá, comendo alguma porcaria e "esquecendo" de fazer a lição de casa enquanto zapeava pela tevê com o controle remoto.

De repente, aparece uma cena de um cara enorme segurando um garoto em sua mão e ameaçando mutilá-lo e comê-lo com ovos e molho rosê.

Quando sem aviso nenhum, uma orelha decepada cai no chão!

E pronto, estávamos fisgados e passaríamos os quatro anos seguintes amargando reprises atrás de reprises e aguardando pacientemente o final da série.

Isso já foi dito à exaustão por centenas de pessoas, mas Cavaleiros do Zodíaco foi de fato o desenho que abriu as portas do Brasil para a animação Japonesa. Se hoje você pode ter seus dvd's de Tokyo Godfathers, Appleseed e Akira na estante, tem de agradecer à Seiya e seus amigos.

Quando começou a passar no Brasil, Cavaleiros chamou a atenção de todo mundo, a minha, a sua, da sua prima e até da sua mãe!

Sim, tenho certeza que sua mãe assistia à série também! Pelo menos no começo!

Lembro claramente que durante o episódio em que o Seiya precisa socar as costas do Shiryu pra fazê-lo voltar a viver, minha mãe estava atenta a televisão como se fosse o capítulo final da novela.

Claro, depois desse começo fenomenal (disparado, o melhor trecho da série) a série virou um amontoado de enrolações e bobagens como a maioria dos desenhos vindos do Japão e só os mais perseverantes acompanharam até o fim.

Eu continuei acompanhando e nunca deixei de gostar, por mais que a série repetisse a mesma história, mudando só o cenário e os inimigos.

E por mais besta que Cavaleiros tenha ficado, sempre terei um carinho enorme pela série, pois na época em que começou a ser exibida aqui, a coisa com mais ação que tinhamos pra ver era o desenho cagão dos X-Men.

Aliás, ninguém nunca conseguia comprar o boneco do próprio signo! Não é engraçado? Eu sou de Touro  e só consegui os bonecos do Mu de Áries e do Poseidon! E vocês?


Power Rangers e suas coreografias mirabolantes!!!

Nosso país sempre teve vínculos fortes com o Japão, talvez porque dois terços do país tenham vindo pra cá na época da Segunda Guerra.

Em tempo, sei que não foram dois terços! Eu também assisti "Haru e Natsu", portanto não me encha o saco querendo corrigir meus erros históricos propositais!

Enfim, por causa desse vínculo, não é de estranhar que as série japonesas de heróis plastificados que combatiam o mal tenham feito tanto sucesso na década de 1980.

No entanto, nossos canais sobrecarregaram nossas televisões de tais séries e chegou um ponto que até mesmo o maior dos aficcionados perdeu o interesse em vê-las.

Diabos! Eu nunca assisti Maskman e não sinto a menor falta!

Então, entrou a Saban na história e começou a canibalizar séries japonesas de Sentai e transformá-las em Power Rangers e o resto é história.

Devo dizer que o público Brasileiro é dividido em relação a Power rangers, tem aqueles que gostavam, tem aqueles que odiavam e tem aqueles que fizeram juras de rancor eterno pois "os seriados japoneses em que eram baseados eram muito mais profundos, realistas e direcionados a um público maduro."

Estou só repetindo o que eu ouvi.

E como já falei muito desses heróis multi-coloridos, só vou mencionar que eles ganharam uma música cantada por Sandy & Junior e todos sabemos que isso é sinal de sucesso supremo em nosso bizarro país.

Por mais horrendo que possa ser... é um fato inegável... ó destino cruel...

Star Trek amadurecendo!

Não sei quantos de vocês são fãs de Star Trek (Jornada nas Estrelas, pra quem não conhece pelo título original) Eu gosto muito de Star Trek, não tanto quanto outras pesoas, mas gosto bastante do universo criado por Gene Rodenberry e do futuro otimista que foi usado como pano de fundo para suas histórias.
Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que nunca usei uniforme de membro da frota, ou me vesti de Klingon gordo. Sou um nerd, mas tenho minha dignidade.

Eu nem sequer tenho o dicionário de Klingon, embora reconheço que tal coisa me faria entrar na USP em um piscar de olhos (o medidor de sarcasmo vai explodir, abriguem-se)!

Mas honestamente, sinto falta da época que a Record entupia nossas televisões com todas as séries de Star Trek, especialmente Deep Space Nine.

Pra quem não conhece, DS9 conta a história de uma estação espacial colocada bem no meio de uma zona de guerra entre três (ou quatro, não sei ao certo) raças diferentes e onde todo tipo de merda que pode acontecer, de fato acontece.

E DS9 tinha a Kira Nerys!

Arquivo X, a série que fez o mundo parar

Você assiste Lost?

Assiste?

Todo mundo assiste!

...

Menos eu...

Pois bem, Arquivo X era em 1997 o que Lost é hoje: a série que todo mundo assiste! Se você fosse minimamente inteligente, assistiria as desventuras de Mulder e Scully!

... acabei de me chamar de burro por não assistir Lost... argh...

Enfim!

Arquivo X era a coisa mais cool que se pode ter idéia! Especialmente por que fazia com que os ufólogos e caras que acreditavam em teorias de conspiração pelo mundo parecessem menos malucos.

A série era tão quente na época que Mulder e Scully até apareceram nos Simpsons!!!

Hurley não apareceu nos Simpsons!!! Nem o Sawyer!!!

Ha!!! Faça melhor, J.J Abrams!!!

Claro... Arquivo X deixou de ser uma das melhores coisas do mundo e se tornou algo tremendamente imbecil e confuso depois que o filme foi lançado.

Não o filme de 2008... tou falando do que foi lançado dez anos atrás e fez todos os fãs da série chorarem compulsivamente ao sairem do cinema, pelo enorme dedo do meio que receberam da Fox.

De fato, tenho um amigo que era tão fã que criou explicações para todos os absurdos do filme, ele que estava em negação a respeito do horror que tinha acabado de ver.

Aliás, os produtores da série sabiam o status de sex simbol que Gillian Anderson teria entre o público nerd e resolveram capitalizar neste fato, lançando mais imagens sensuais dela do que qualquer nerd seria capaz de imaginar.

E como fomos gratos por isso...

...

...

...

...

*ARRAM*

Hoje em dia, Arquivo X está morto e enterrado. O filme "Arquivo X - Eu quero acreditar" sendo a última pá de cal sobre a franquia, mas permanecerá em nossos corações como a série que tornou o final da década de 1990 uma época mais cheia de conspirações e traições!

E é isso! São essas coisas que me lembro com nostalgia da época em que era um adolescente chato!